quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mundo dos Solitários


Mundo dos Solitários

Só os solitários sabem o que de fato são as lembranças,
Por que respiram atentos, o ar de cada minuto.
E compreendem que não são doentes emocionais
E sim misteriosos viajantes de seu mundo interior.

Só os solitários se sentem felizes com seus próprios segredos
Por nunca sentir necessidade de contá-los a alguém,
E aceitam que não são únicos responsáveis pelo que constroem
Mas podem dar a cor que quiserem a sua vida.

Só os solitários sentem o melhor perfume da chuva que cai
Por que se preocupam com os detalhes,
E se dormem ao som da música, despertam entoados de sensações,
Que não se explicam com lágrimas nem risos.

Só os solitários são mais amigos de si mesmos,
Por que se respeitam e dão a si todo o tempo,
E sabem que solidão não precisa ser explicada,
Só os solitários vivem rodeados de pessoas ouvindo-as
Mas nunca se deixando ouvir.

Amanda D Apolinário

sábado, 1 de dezembro de 2012

Prestando atenção em mim...

Ando prestando atenção em mim mesma ultimamente, me via tão concentrada em meus defeitos que perdi o melhor de mim até então, hoje não só me digo "não" , vou até um lugar silencioso para me ouvir, e vi, que  diante de tantas vontades uma era tão maior, e tão mais importante do que viver, viver bem, e sem entorpecer-me em devaneios autocríticos eu prestei atenção em como posso aceitar a minha amizade e desfazer-me em alegrias junto a mim, ah... e perdi tanto tempo prestando atenção como se fosse uma experiencia de "quase vida.." e de dão vívida me felicitei! Em êxtase me fiz tão minha, dona de meus sonhos, colocada em meus focos, observei atentamente como fujo as vezes, estou trabalhando em descobrir por que. E na proporção que me conheço assumo a imperfeita humanidade do meu ser, e a fragilidade dos meus sentimentos diante dos problemas, vejo acidez e doçura gotejadas como eu quiser dosar, vejo o sair simples na rua, e vejo o alto cantar, pode ser samba pode não ser, pode ser à noite ou ao amanhecer...pode não ter fim ou acabar.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ENTREVISTA


Músculos, ossos, nervos, vasos! Enlouquecida acadêmica tentando terminar o trabalho, e que trabalho, estava calor, meus pulsos ferviam, e eu tinha que terminar, mas eu estava terminada na impaciência, máquina malditas que não nos obedecem, net discada e calor!
Eu já disse que estava muitooooo calor? Ah era domingo, e ela tinha 8 anos.
E de repente uma Luz, de vestidinho rosa até os joelhos e o cabelo solto, a primeira batida na porta: a pergunta “-Tia tu tem papel?” Tia dá o papel e a net trava novamente; a segunda batida na porta “-Tia tu tem caneta?” Tia dá aquela sem tampa que tinha na mesa e os documentos parecem ter vontade própria; a terceira batida na porta “-Tia vamos brincar de repórter?” Tia dá um sorriso amarelo e um minuto de atenção... A Luz em forma de menina senta no chão e começa a escrever. O sentar ali deveria estar menos calor, fato.
Ela nunca deixou de me surpreender, nunca mesmo, com o seu material pronto, suas ideias prontas, ela levantou-se linda e meiga, era sua entrevista, era seu mundo de criança, era eu ali diante daquele ser tão ingênuo e tão encantador:
“- Qual o seu nome?” Amanda
“-Qual a sua idade?” 24 anos
“-Do que você tem raiva?”
Paro tudo na mente ofuscada e os olhos mal veem o rosa do vestido e a resposta da minha boca foi mais rápida do que a do computador (processando....)
-TENHO RAIVA DO QUE O COMPUTADOR ESTÁ FAZENDO!
Ela me olhou e riu...ela riu...ela riu...e eu poderia repetir mil vezes e tentar achar os melhores adjetivos para descrever aquele sorriso, e de nada adiantaria, a mente abriu-se em ânimo, o coração palpitou de maneira mais frenética, sumiram-se as ansiedades, e eu ali diante de tanta superioridade, um coração grandioso de 8 anos de idade, que me deu a chance de não perder meu domingo se preocupando com o que eu não poderia mudar, e eu me rendi àquela entrevista tão bem elaborada, tudo tão caprichado, envolvida pelo coração torto feito pela tinta da caneta velha, do papel amassado e do chão frio onde me sentei ao lado dela e dei um abraço, que ela rejeitou porque estava trabalhando, é meus caros leitores...trabalhando a alma, dentro de alguns minutos, quem estaria era eu.
“-Do que você gosta?”
A essa altura meus olhos estavam transparecendo a alegria de conviver com alguém tão especial, tão pequena expressão do amor.
                -GOSTO DA MINHA FAMÍLIA.
Tive que assinar no local indicado para que o documento tivesse validade! Meu Deus foi uma entrevista séria! O que há de brincadeira numa criança de 8 anos te perguntar do que você tem raiva e do que você gosta? Nada. A reflexão que atingiu a minha alma é eterna, eu respondi sem pensar e ela mesma com seus pequenos punhos escreveu e eu assinei. Ela claro, a repórter assinou também. O poder das famosas armas brancas dos meus rabiscos, o que me faz proclamar coisas que jamais queria dizer, e o papel que estaria em branco hoje carregam a prova concreta de uma tarde em que aprendi com ela Eduarda que tanto já me ensinou, Ela que me fez esquecer um problema e sentar-me  no chão com a sua deliciosa companhia, Ela que foi Deus mandando eu não me preocupar com coisas tão banais, foi Ela que foi o sorriso do meu rosto e que foi o orgulho do meu coração.Hoje agradeço a mim mesma por ter parado e vivido um momento tão emocionante e banal e que levo até hoje quando não deixo nenhuma preocupação me vencer, eu a troco mesmo por alguns instantes por alguma bobagem e ai o calor passa e o trabalho se encerra com êxito.
Não há nada de banal em uma criança de 8 anos te entrevistar; ela quis saber o que a Tia gostava e tinha raiva, com seu suave antônimo, sem “ódio”, no máximo uma raivinha, amor criança usa muito. Criança é muito. EDUARDA é muito pra mim.
Amanda D Apolinário

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Farsas Sociais


Não me culpo pela solidão que senti, em meio a tanta gente ao meu lado eu estava só, e de fato, tantos artefatos eu recebi, e hoje nem mesmo vejo-os... Pó! E de tão profunda ingratidão senti-me culpada, eu não sabia como retribuir o que eu não ganhei, e como sentir-me feliz? Achei por muito tempo que gostasse de sofrer, não! Vejo que gosto de ser feliz, apenas sou suficientemente simples para achar-me apenas um labirinto de emoções, não julgo as pessoas que passaram por mim, apenas encontro-me num patamar que vai além de fins de semana programados para acabar, e fantásticas exposições de sorrisos engomados, peles maquiadas pela felicidade que tiraram de prateleiras. Eu não, eu não combino com hipocrisia, eu combino com a noite e combino com o dia, dependente de meu estado de humor, eu não combino com falsidade, nem com covardia, e por isso tanto tempo sozinha eu me senti, eu desejo ávida a vida, eu não quero embalagens ou passagens para mundo de ilusões, eu combino com os pés no chão, fincados no solo da minha existência, não há medo quando tudo está transparente nos meus olhos, eu quero-me hoje e amanhã, descobri que traumas não existem que algemas não existem que seres humanos sim, são de fato cruéis... Mas eu não sou! Abba! Eu não combino com o mal, não combino com o banal, e isso eu posso escolher. Tenho as heranças de dores que senti, mas elas hoje não tiram mais de mim do que lágrimas de alívio por que fui até onde pude ir, machuquei e errei, mas de tão claro vejo que tinha de ser assim, de tão claro veja-se estou aqui! Justiça da vida, divina ou não, paguei em duras moedas a parte que me coube, e nada mais. E se posso providenciar um dito popular para misturar-se a minhas palavras faça-se “se não está tudo bem é por que não chegou ao fim” E meu eu de novo tão humanamente capaz de parafrasear ditados populares, e o que de mal há nisso?! E o que de mal há em não combinar com farsas sociais? Cansei de ver certos noticiários, seriados, ou novelas? Nãoooo... Essas farsas até que distraem, cansei de sim, de tolerar pessoas me olhando com seus interesses imbecis e molhando de óleo o chão que piso, farsas das esquinas e dos becos dos meus pensamentos, limpei os porões e não mais combino com a acinzentada maldade de quem deseja me destruir com sorrisos, ou me derrubar com flores; não há amargura, tenho amigos e respeito aonde eu for, o caminho certo da vida é pra dentro, onde ao encontro do meu melhor encontrei pessoas que combinam comigo e outras raridades como respeito ao ser humano, compaixão e fé.
Amanda D Apolinário

domingo, 28 de outubro de 2012

Amigos

Não saberia falar de todos os amigos do mundo,
O tempo só me ensinou a falar de mim, e dos meus amigos
Vocês me sondam como anjos
Respeitam meus silêncios e até as ausências,
Vocês vibram quando me veem sorrindo
Revoltam-se quando minha dor dói muito
Vocês me acompanham ate me ver sumir
E me esperam voltar sorrindo
Vocês  brigam e me abraçam
Perdão amigos que machuquei
Ode aos que me pegaram pela mão
Sou alma transparente  para vocês
De mim, dos meus amigos sei falar...
Sou prova viva que amizade existe,
Sem tempo e sem jeito posso ate estar
Mas amo cada um de vocês em todos os detalhes
E esse amor é tudo que sei doar,
Pra vocês pra sempre.




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sem tolerância!

Não tenha tempo para o que te faz rever momentos inúteis, e ainda, não faça movimentos inúteis, descanse seu pensar do que ofusca a inteligência, levante a placa vermelha para a hipocrisia, ria e cale, mas ria! Seja você mesma intolerante, canse muito, mas avance os ponteiros do conformismo, para que até isso mude, e mude, e cante, e avante! Sem tolerancia...mesmo, eles aparecem no meio dos carros e arracam seus retrovisores, intrometidos e impacientes mas avante!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um pouco de mim...


É mágico, sublime, é fato a arte de viver, e é preferível viver em arte, acreditar que pessoas são importantes, e que o olhar para mim mesmo é algo fantástico, pitoresco, e assustador... Sim todos os dias é difícil me conhecer e aceitar que quero sim, viver de sonhos, buscar o melhor de tudo, sem mentiras, sem tempo... E se alguém que esta perto quer uma vida simples e calma, que viva! Não há certo, não há errado o que há são seres humanos com suas prioridades, suas diferenças, uns se calam e dormem, outros falam e correm e assim, se complementam ou se detestam durante o dia que vai passar do mesmo jeito, e no final das contas todos precisam comer e beber água, e numa doença vão precisar de cuidados, e quando visualizarem o seus passados vão se orgulhar de algumas coisas e se arrependerem de outras, como todo mundo. E se meus pensamentos pudessem se misturar tudo por algumas horas num passeio mágico pelo que chamo “eu”, seria perfeito... ops! Essa palavra não... Perfeição é trauma, é inapropriado para alguém que não quer simplesmente ter tudo pra ser feliz, e sim ser feliz para conseguir tudo.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

E hoje meu eu assim

...E ontem o que era de mim
Há tanto do que se lembrar?
Do que tanto se muda,
O que há de ficar?
E ontem o que era de mim...
Um eu assim, meio sem mim
E hoje de tão perto surpreendo-me
Doce estar-me tão perto, de certo
Sem o avesso de mentir
E hoje meu eu assim, aqui.

Amanda Apolinário

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O que é a poesia?


O que é a poesia?

Para o poeta é tudo
Para o artesão é tato
Para o cineasta é fato
Para o músico, melodia
Para a orquestra maestria
Para mim, rimas difíceis
Por que as fáceis sem amar eu conseguia ler
E sem amar pior, conseguia escrever
Poesia é viver
E sem viver, morrer, para alguns poesias é assim
E muito mais que a mim
Poesias o que deve ser
E sem ser, o que deve conter?
A música de viver,
A estrofe de conceber o que menos se quer ler
E lendo, o que eu posso ouvir de mim?
O que pouco se sabe do poetizar
E muito do que há rimas poucas
E no mundo vasto de sentimentos poéticos
Eu aqui e ela
Cala-me e guia-se poética a vida vã
De vãos pensamentos podem ser vistos juntos
Os sonhos, de tão sonhos são ruins
E eu ruim, aqui a sonhar
E profetas, fujam! Quero sair de mim
E da poesia que a milímetros esta a me dominar;
Poetas venham! Estou aqui a esperar.

Amanda Apolinário