Se os pensamentos que tive por toda a nossa vida se misturassem seria no mínimo bizarro, poder mesclar o que senti no primeiro dia de aula com a sensação da primeira derrota, e a mansidão do fazer nada depois de adulta no dia-a-dia cheio de responsabilidades ou o reviver de doce de uma saudade... Não tenho como misturar sensações e transpor a barreira das lembranças para reviver tudo como real, mais sim tenho como mudar o curso da minha vida, viver a arte do cotidiano, a poesia dos problemas, o cinema das emoções, tudo que eu quiser, sem previsões em longo prazo, sim, posso decidir o futuro dos dias, pelo menos a grande parcela que me cabe, as outras ficam a encargo de Deus, que faz com que eu não me perca caso quando por minhas próprias forças não consiga vencer, é tão obvio ver, sentir... Onde está a vivacidade do sol em minha vida quando parece que nada faz sentido, e quando tudo passa a fazer? O misterioso sabor da dor quando ela acaba... É mágico, sublime, é fato a arte de viver, e é preferível viver em arte, acreditar que pessoas são importantes, e que o olhar para mim mesmo é algo fantástico, pitoresco, e assustador... Sim todos os dias é difícil me conhecer e aceitar que quero sim, viver de sonhos, buscar o melhor de tudo, sem mentiras, sem tempo... E se alguém neste mundo quer uma vida simples e calma, que viva! Não há certo, não há errado o que há são seres humanos com suas prioridades, suas diferenças, uns se calam e dormem, outros falam e correm e assim, se complementam ou se detestam durante o dia que vai passar do mesmo jeito, e no final das contas todos precisam comer e beber água, e numa doença vão precisar de cuidados, e quando visualizarem o seus passados vão se orgulhar de algumas coisas e se arrependerem de outras, como todo mundo. E se meus pensamentos pudessem se misturar tudo por algumas horas num passeio mágico pelo que chamo “eu”, seria perfeito... ops! Essa palavra não... Perfeição é trauma, é inapropriado, é intacto, é inapto para meu coração.