Meu momento não pede nem sequer reflexões,
por que passou dessa fase, está surreal mesmo sabe, tanta coisa inacreditável
aconteceu que nem meus sonhos, digo sonhos mesmo, aqueles do travesseiro, nem
estes estão me impressionando mais, tá fácil acreditar em uma vaca amarela
dançando tango na minha sala do que se eu contar tudo que passei. Por isso não
vou contar. O que quero mesmo é aprender a aprender com erros, a errar menos, a
regar melhor minhas expectativas em relação ao meu futuro, tenho um livro em
branco agora para preencher, o último volume com certeza vai servir como
inspiração maravilhosa para ser contada como exemplo, e que bom tê-lo, é bom
sorrir e sentir-me responsável por certas coisas, o vazio das incertezas deve
ser ruim de mais, pelo menos tenho o conforto de poder me arrepender por algo
que fiz, não me orgulho, mas pelo menos, minimizo a cota das frustrações.
Acho que o que tento todos os
dias mesmo é tentar minimizar sabe, a dor e sofrimento cansa, punições,
caminhos preparados para que a gente siga, formulas perfeitas de resoluções de
problemas como se a vida fosse matemática. Se eu mesma não ficar minimizando o
que fiz e me julgando menos, quem o fará? Os outros seres humanos? Mas eles são
humanos... e toda a humanidade erra e mesmo assim joga as pedras, e as pedras
doem, e essa dor gera cicatrizes que todos levarão consigo pela história de sua
existência, e como não viver, acontece com todos, a experiência de sofrer,
mudar, amadurecer, cedo ou tarde vai chegar, e cabe só ao meu eu
sozinho se adaptar ao que é realidade, montar o quebra-cabeça do que sou. As
peças podem até serem parecidas mas nunca idênticas, cultura, caráter, desejos,
medos, crenças, tantas partes que oram parecem estar no lugar certo, outra ora
somem de mim igual na brincadeira de criança... estou montando, e nesse jogo a paciência
é a maior virtude que aprendi humildemente confessar que não disponho, e era
trocaria algumas outras para tê-la, para que eu pudesse blindar meu coração da ignorância,
da inveja e falta de compreensão; para que sempre que alguma estratégia frustrada
de lutar não virasse irritação, e motivo para que meu coração sofresse.
Não é nada fácil. Mais ainda
aprendo. Como aprendi que sou meu maior acalento, refúgio e cuidador, por que
solidão só é solidão se for de alma e de fé, mas se tenho fé em Deus nunca
estarei sozinha, acreditando em minhas potencialidades; aprendi que reservar
sorrisos para as pessoas é um ato de carinho mas não pode ser um personagem
principal na minha vida; aprendi que posso conseguir tudo com meu intelecto,
mas se não tiver equilíbrio interior para aceitar que sou frágil jamais serei
feliz; aprendi que de nada adianta estar protegida de tudo que puder me fazer
mal, se eu não tiver sendo eu mesma nada me fará sorrir; aprendi que
definitivamente que em qualquer tipo de relação humana só amar não basta. Aprendi
que pessoas tem mistérios que não precisam ser descobertos para que elas se
tornem sinceras, e que todo mundo pode sentir-se magoado sem razão em algum
momento do dia; aprendi que mesmo errado não se nega carinho a uma pessoa que
chora, mesmo que a lágrima seja uma ilusão, por que a ilusão é apenas para quem
chora. Aprendi quando achava que não sabia mais ficar perto de Deus que ele
estava bem aqui do meu lado, aprendi que nem todas as frases feitas são sem
sentido e chatas, e que mudar de humor a todo instante pode até ser uma
vantagem num mundo de loucos tão estáveis; e principalmente aprendi a ver que
tenho qualidades boas e sutis, e que como elas estão ficando cada vez mais
claras descobri com isso o segredo do brilhantismo de me fortalecer, talvez o
segredo de recuperar a autoestima, o inicio de viver o que sempre quis e não
consegui, me gostar de verdade, e gostar
de ser assim, rir de mim mesma, ter lições dos meus erros, não repeti-los mas
também não deixar que ninguém use-os para provar que estão mais certos do que
eu, por que ninguém é mais certo do que ninguém neste mundo, o que existe sim,
são pessoas que vivem, mudam, reações de acordo com essas ações, e consequências,
e responsabilidades e arrependimentos, e respeito e vergonha, enfim...Aprendi
que o que faço com o que ficou em mim é o que é meu problema, e não o que perdi
com isso.
É claro que não poderia terminar
em falar uma coisa que não aprendi agora, essa já faz parte de mim (desde o volume II rsrsrsr) , mas passei
por mais um teste, uma reafirmação categórica que o Tempo é sim o moinho que gera toda a mudança necessária para seguir
em frente e passar para o volume III (IV, V, VI, VII, VII...) da vida – por isso repito, que nem toda
frase feita é chata e sem sentido (risos).