Reservo-me o direito de
permanecer em silencio, de desejar avidamente a monotonia confortável de estar
como sou, por que deixar de ser não mais frutifica o meu jardim, jardim de
sonhos que eu cultivo todos os dias. Reservo-me o direito a minha doce monotonia,
e o julgamentos dissipam-se na minha solitária noite, desta sempre esperei sonhos e palavras
escritas que não conseguiram sair dos meus lábios, hoje reservo-me o direito a
não dar explicações, de não querer me fazer entender, por que estou cansada...
Correria, trabalho, pendências...Céus! O que estou a fazer aqui! O tempo gasto
em fugas estáveis como uma carta, ou dissipáveis como lágrimas ao escuro; sei que
o tempo não é tolo como eu, e meu amigo
tempo trará um pouco mais de si na próxima noite. Sim quem sabe amanha! Quem sabe
amanha eu deseje ir além, voltar mais tarde, entardecer no topo de uma colina
esquecida, ou numa avenida perigosamente cinza, e eu ali sem mistérios sendo
EU. Como é difícil se fazer entender, fazer os outros perceberem que o que os
fazem felizes podem não me fazer feliz também. Difícil, muito difícil, decidi
então desistir, é muito mais fácil dizer ao meu Eu que não preciso convencer ninguém
de nada, preciso me convencer a não deixar fincar raízes, deixar as angustias...
Ah que tão forte loucura, o êxtase de não sentir-se culpada! Livre de sensações
e obrigações que não compõem meu bem estar. Reservo-me o direito de permanecer
no silencio, saboreando o momento de me ver. Espero que a paz volte logo,
espero sim.