quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Recomeços


De tantos recomeços
Nem começo a tentar entender
O que sou e em mim
Que nada morre, mas as vezes nada vive
E de tudo que molhou
Nem acabei o poema e ele se foi
Como todos os outros
Sem que a mínima lagrima tenha caído
Que mesmo a outra face dos sentimentos
Se tenha sido vista
E que nem minha solidão
Nem a bagunça do eu
Nem mesmo eu tive como sentir
Quando o tempo se fez passado
Quando o futuro esperei
E de tantos recomeços
Nem começo a tentar entender
Tenho medo
Do que sou e do que há em mim
E mesmo assim,
Eis me aqui
De novo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Real sentir

Incrível quando as certezas aumentam,
Não a certeza que o outro é a pessoa certa,
E sim que você mesma se tornou a pessoa certa perto dela
Essa tal felicidade do transparente
Torna-me mesmo protagonista desta certeza
Felicidade de ser simples, sem segredos
De sentir-me completa por mim mesma
Coisa boa poder deixar-se desnuda de receio
Poder ser do jeito que sei ser
Felicidade é ter lucidez e paciência
Resgatando a vida que há dentro de mim.
Incrível exercitar a loucura mostrar-se com erros
Não maquiar os medos
E assim mesmo saber que o amor da sua vida continua ali;
E em mim que as palavras sempre surgiam
Por um tempo, adormecidas
Voltam a mim,
Incrível como realidade é melhor que sonho
Verdades são ácidas,
Amores são carne,
Sensações são fato,
E de fato, é real sentir.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Amar é uma verdade

De nada valerão palavras, mesmo que iluminadas
Para adocicar um eu magoado
E no caos do sorriso
Acordar para o assistir será vão
E saborear o prazer de ser feliz
A apoteose do eu, ao final do dia de trabalho
Não terá cor
De nada valerão sonhos, mesmo que promissores.
No complicado modo de simplificar tudo
Para os corações que amam
De nada valerão pedidos e superficialidades
A saudade é quem clama
De nada valerá ser forte
Sem o suave toque do carinho
E sem caminho para poder voltar
O amor ensina a benção do silencio
E a virtude do coração manso
De nada valerão palavras, nem mesmo o não,
Amar é uma verdade,

Verdade, amor.

terça-feira, 14 de março de 2017

Amanda...por Amanda



Naquela fita cassete que eu ouvia sempre passava a música até chegar na “Vida”... achava linda...quando Padre Fábio de Melo regravou achei que tinha sido um presente pra mim, na voz missionaria dele ficava ainda mais bonita, música de esperança, de paz, VIDA; mas minha vida mesmo nunca fez muito sentido, sempre achei que fosse muito dramático me sentir assim, eu tão pouco anos, poucas experiências, hoje vejo depois de tanto tempo que continuei sem entender absolutamente nada de mim, vivo e vivo, mas parece que hoje nada mudou, a não ser por um acumulado de dores que doem hoje como memórias, não mais como prenúncios, tentei contar os anos, os fatos, as experiências, mas só tenho um grande silencio. Ai a ideia de chamar minha velha escrita para tentar fazer com que as palavras saiam com algum sentido de mim.
Dói, dói muito. É como uma insistente martelada no tecido do coração, mesmo sabendo que as emoções não estão do lado esquerdo do peito é aqui que sinto. Uma sensação de não ter feito o que eu deveria ter feito, de não ter amado minha família como deveria ter amado, de não ter escolhido os caminhos certos. Uma saudade do que nunca tive, como se a paz de espirito fosse algo tão longe para mim, e ao mesmo tempo uma inverdade dizer isso de mim mesma. Faz tempo que não tento escrever com a razão, que simplesmente deixo-me esquecer esse mesmo tempo, até que tudo que tenho dito não faça absolutamente nenhum sentido igual a mim. Pessoas passaram pela minha vida, ou melhor, eu passei pela vida das pessoas, sinto-me como um catalisador de traumas, como se acelerasse o que essas pessoas nunca queriam viver, como se me amar fosse tão perigoso, por que não sou compreensível e por que posso gerar um transtorno. Sinto-me hoje num vazio tão repleto, numa calmaria de interior inquieto, de verdades escancaradas por que todos sabem o que houve o que fiz, mas eu escondo de mim que não me orgulho do que fui, por que não sei usar o que aprendi, sim, aprendi que ter passado pela vida de pessoas e deixado marcas de dor, deslealdade, pessoas que lutaram e lutam por mim a todo instante e eu não sei como chegar perto delas com vontade de ficar ali no canto que arrumaram para eu viver. Quero seguir vivendo o que pode ser minha felicidade, mas o pé preso na dúvida se poderei me sentir livre insiste em me atormentar. Tormenta porque eu ao mesmo tempo que tenho certeza do que não quero para mim, duvido de mim quando me escuto sobre o que é certo. Mas quem saberia me dizer o que é certo, por que programar-me diante do que o mundo me mostra é muito inquieto, por que minha mente é muito inquieta. Queria parar de pensar por dias em tudo que já passou, não é arrependimento, nem saudade, é uma sensação de dúvida em relação ao que eu mesma posso fazer. Sensatez de ir para onde nunca fui, deixando para trás sem me sentir uma eterna contrariadora de princípios, sinto como se não acreditassem que eu posso amar, amo tanto a todos que me coloco abaixo de qualquer intenção de ferir, tiro a ação de algo que possa magoar e é aí onde mais magoou, e é justo assim que mais perco a mim mesma. Meus atos são incoerentes com tudo que pensam sobre mim, julgam-se que tudo que faço é por que estou profundamente descompensada, mas os princípios que regem a sociedade é obvio de mais para mim. Não queria menos do que a loucura, queria poder amar sem ter que fazer o que querem que eu faça, mas eu jamais desejaria ver alguém que amo 01 ano internada numa clínica por exemplo.. Eu peço a todos que amo, morram depois de mim, por que sou hoje incapaz de lidar com tudo que gerar uma dor maior do que a dor de perder a mim mesma. Nunca tive uma boa opinião sobre mim, nunca fui feliz com o que sou, parece que o pouco tempo de lucidez que aprendi nos últimos meses me trouxeram uma vontade forte de conhecer meu lado contrário, acho que nunca me amei, que nunca me amei. Tenho certeza que não é nada com trauma de infância, nem com sofrimento causado, é sim, algo que nasceu comigo, queria poder dizer que sou tudo que veem em mim, mas não sou, não posso dizer que fiz certo ou errado, mas tenho projetos de ser alegre um dia. Queria que Deus falasse comigo com todas as letras...que não fosse tão enigmático, queria que Deus me mandasse abraço apertado sem perguntas, que ele dissesse no meu ouvido o que devo fazer para não machucar, para que dê tudo certo. Queria saber se as pessoas já me perdoaram e já perceberam que a melhor coisa é estar longe de mim, e que fui um sopro de tumulto que pode virar uma página virada. Mas quem virará minha própria pagina sou eu, quem demora para agir de forma concreta sou eu, queria crer que essa visão turva é apenas uma fase, queria não me incomodar com a proclamada paciência que tantos me pedem, mas honestamente, não tenho paciência, não tenho sonhos altos, também, não quero mais inventar o que não me importa, por que sim, me importa muita coisa, minha família me importa, minha mulher me importa, minha vida profissional me importa, minha saúde me importa, apenas não consigo conciliar tudo isso num só plano de viver, preciso ter a satisfação que posso ficar invisível, na maior parte do tempo preferia que ninguém me amasse, mas hoje acordei com uma enorme vontade de ser amada por muitos amigos, que eu tivesse pra onde ir e simplesmente passar o domingo ouvindo música e comendo churrasco, voltar pra casa, ir ao shopping, dormir ao lado da mulher que aprendi a amar...sim que me conheceu no meu pior momento, e senti que algo em mim é de verdade, e mesmo o abraço gratuito que ela me dá julgo não merecer. Ingratidão que sigo carregando como se tudo que me disseram um dia tenha sido verdade, que tudo que eu disse também, mas não foram...sim disse da boca para fora que não saberia de novo amar, mas aprendi que o amor acontece mesmo. Não sei por onde começar a reescrever minha vida, essa mesma vida que eu ouvia, mas sei que não me sinto uma pessoa má, eu amo e respeito minha família sobretudo quando prefiro ficar calada, descobri que não sei mais quem são minhas irmãs, que não tenho mais os velhos amigos, que minhas companhias anteriores só tem magoas de mim, que nunca construí nada de material, que girei e nunca andei em linha reta, passando várias vezes pelos mesmos erros, descobri que existem mais pessoas do bem do que do mal, que sou do bem e que não maltrataria uma mosca, que seria muito bom dar aulas novamente, que seria engraçado reviver algumas farras da época da faculdade, que é muito ruim lembrar das ligações estupidas que fiz pra alguns amigos, perdendo-os. É tão estranho ter perdido tanto tempo num emprego ocioso e depois dele descobrir que poderia ter sido muito pior se eu fosse um pouco mais sã. Acordo diferente a cada dia, ouço uma música e posso afirmar que ela tem poder de mexer de verdade com o que sinto por que hoje vivo alimentado saudades da pessoa que mais me fez feliz até hoje, que ama com toda inutilidade, que acompanha minhas loucuras como e nem tão loucas forem, e que sei que o mundo crítica, mas eu queria que isso não fosse uma ofensa, me arrependi de ter aceitado ajuda por que gera em mim uma dívida silenciosa que eu sei que vai comigo aonde eu for, mesmo que eu passe bons tempos sem senti-la, por que pessoas adoecem, se machucam, passam por bons momentos que talvez eu não veja de perto, não queria sofrer mas sei que sofrerei sempre por que amo minha família, amo meus amigos, mas só ama-los não basta, por que isso não basta pra ninguém, e eu não tenho como mudar o que já fiz, não sei como refazer meu ser, recomeço sem nenhuma perspectiva apenas com o coração apaixonado e o corpo levemente disposto a seguir sem planos complexos, quero viver minha profissão até onde eu dispuser de paixão por isso, por que não sei viver sem paixão, sem invenções estupidas, sem liberdade emocional, sem ilusão pacifica, sem dramas rotineiros, não sei viver sem bondade e sem silencio, sem quarto fechado e coração preenchido. Queria esquecer tudo que errei, mas isso é impossível, impossível ser diferente, Deus me ouve e me diz baixinho o que eu fazer para deixar de viver frustrações, como desejar e odiar tanto a rotina ao mesmo tempo! Como posso ser transparente e ao mesmo tempo tão obscura, ser tão segura e ao mesmo tempo tão medrosa, ser forte e ao mesmo tempo tão frágil...todos são assim...como não ter vaidade em nenhum sonho e ao mesmo tempo sofrer tanto as perdas...ah as perdas são tão importantes para os outros e tão ínfimas para mim, queria não ser notada, queria meu dia sem ter que contar comigo mesma, por que tenho a sensação que estou sempre cansada para fazer por mim.
Já acalmou a maior parte da minha angustia de hoje, e amanhã sei que de novo estarei em lagrimas, sei que não estou ao lado dos meus pais com saúde e sem entender como podem me fazer feliz, e eu também não sei como faze-los feliz, mas eu os amo. Eu estarei longe do amor da minha vida, mas sei que ela estará comigo no coração e pensamento e isso me move a ser melhor. Meus olhos pesam...estou com sede, sono...amanhã vai amanhecer do mesmo jeito, eu vou ser a mesma, nada vai mudar, se a dor não doer amanhã vai doer depois, quem sabe eu faça de novo uma carta para alguém que nunca entregarei, será que vale a pena desengasgar pedidos de desculpas mesmo sem saber como foi estranho me sentir assim, é difícil, mas é fácil seguir basta conviver. Quero mesmo é poder agradecer a Deus pelo presente de ter Renata de poder um dia deitar dormir e acordar ao lado dela, por que sinto que viver sem julgamentos é ser livre pra mim, mas isso não quer dizer que eu não ame quem me julga, eu amo, só não sei como agir sem soar como uma falta de respeito, não sei mais o que fazer com tanta despesa emocional, custos de vida altos, muito altos, mas eu amo, eu vou chorar de saudades, eu vou me arrepender de muita coisa, mas vou me olhar e ter a certeza que sou assim mesmo, desconheço o que a mim é convencional por que não faço nada só por ser conveniente, não suporto mentiras, sou ética e emotiva, impulsiva e impaciente, mas tudo isso sou principalmente comigo mesma,  fugas não mais me pertencem quero viver o que restou do terremoto.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Espírito Guerreiro



Não pude reverter as arestas construídas
Distanciada de tudo que fez sentido um dia
Adormecida de ensinamentos e crenças
Diante de um ritmo descompassado entre razão e coração
Caráter e comportamento são complementares, mas nem sempre em sintonia,
E as noites frias vieram sim
Senti sabores amargos e poucos sonos doces
Mas nas manhas do meu eu podia me ver voltar
Criei hábito de zerar as contas e seguir com o que sobrava de mim
A “sobra” matéria prima para a superação
E achar-me forte é uma reformulação
Toda dor um dia acaba
Toda vida faz o seu sentido
Toda fé adormece, mas não morre
Espírito guerreiro em caminhos tortuosos
A guerra de simplesmente ir
Em frente no que se acha o sonho
Em frente onde acha a si.

Amanda D Apolinário

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sapiência do Tempo

À espera de minha resposta, tão dono de si, o Tempo. Desafiando-me a paciência, tentando vencer meus argumentos mais elaborados, aspirando minhas aspirações, sonhos perecíveis, algo como uma porta entreaberta e luz despretensiosa querendo iluminar, à espera que aconteça. Admito perdas eis minha resposta, o outono das minhas lembranças tocando como brisa meu rosto, secando a lágrima. Injusto exigir-me paciência e esperar o tempo certo que nunca veio, e nunca virá. No meu despertar eu desisto de aprender a controlá-lo, me amparo na certeza que eu nunca saberia amadurecer junto com ele, o Tempo. Como convencer minhas atitudes a serem relativas, mesmo tendo aprendido que tudo na vida é meio termo, eu não sei ser diferente de intensa com todo estigma que isso me traz. Prefiro não pensar que o perdi, o Tempo que vivi e escondi desejos, e que de tão assustador é crer que algo pode dominar meu destino, fazer-me cadenciada, aprisionada, prisões que não fui ensinada a sair. Se pudesse desarticular minhas auto promessas com certeza veria mais mar azul, sentiria mais o toque suave do amor, saberia render-me ao sorriso doce do vento. O Tempo espera minha resposta, ele, o Tempo, que não é ansioso, ele que sabe que as estações interiores são mais importantes que as do ano, que os minutos de oração silenciosa são mais importantes que horas de louvor público, que o corte profundo que mais dói é do da alma, que a amizade mais verdadeira não se conta com aniversários, que brigas e ofensas passam, mas o bem que fazemos não; que tudo é efêmero, o bom e o ruim, o transparente o obscuro; que o desespero não dura mais que uma semana, que o pior da tempestade não é quando está tudo destruído e sim quando olhamos o vão de ruínas e precisamos reconstruir.
O tempo que encoraja a destruir minhas vaidades é moinho que catalisa minhas dores e minhas alegrias, para eu entender que não posso ser imune a essa dor e nem ter posse da alegria, o tempo age por si só, seguindo, zombando dos tolos trazendo a morte, surpreendendo o incrédulo com anos de saúde, o tempo não vem nem vai, o tempo lá está, imune a qualquer tentativa de domínio, deixando rastros de sua sapiência.
Resta-me a espera do que pode acontecer ou não, do que posso ser ou não, do perdão que eu possa ter ou não, do amor eterno ou não, da resolução do caos do mundo ou não, do amanha ou não...

Rendo-me, ele o Tempo que não diz, não supõe, não espera como eu, minha espera reconhecida em todo o meu ontem e que de nada servirá se não houver amanha.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Aconteci

E se mesmo assim eu tivesse visto além da neblina, eu quisesse escolher que tudo ficasse como sempre foi, obscuro e simples, mas a complexidade do meu eu sempre foi assustador e mesmo que o tempo voltasse eu não poderia desistir de mim. Quando eu lembrei que ser feliz poderia ser um plano nem era tão tarde, mas mesmo assim me deu um cansaço, por que tive que ir em frente sem poder me livrar dos pesos que acumulei pelo caminho. Não olhar pra trás não foi uma escolha, tive que fazer isso para poder sobreviver. Nem mesmo minhas melhores frases tinham efeito, nem meu sorriso era aceito por que eu quis, e tive que desafiar o tempo de uma forma cruel, por que eu quis tanto que ele passasse e ele não passou, não se fez meu amigo. E transpareci como uma sensação de que nem pertencia mais a esse mundo onde pessoas não se importam com você, onde o existe mentira e desordem e eu de tanto errar me coloquei no mesmo patamar dos que me assombraram com seus espinhos. E como perdoa-los se eu não posso me perdoar também, e como espera-los se eu mesma não soube esperar ninguém. Se pudesse prender meus medos e controlar meus anseios, se eu pudesse ter ido totalmente em paz, mas nunca pude ser tão forte assim, perdi tudo até a voz, e agora tento vencer o que de mais intimo há em mim, e por que seria fácil, me disseram que nem mesmo com toda sorte do mundo eu poderia achar as respostas para todas as perguntas que tenho, e então só me resta seguir saboreando o que vier de doce e temperando com o ácido dos problemas para que se houver um final ele quem saiba possa ser azul, mesmo amando a noite do jeito que ela é bem escura e ríspida para meu coração, sensata com toda a sinceridade que pode-se ver ao vento que balança as confusões da minha voz abafada. Meu choro é tão calmo agora...sem ter que provar por que não tinha mais nenhum barreira do certo e do errado, era só eu mesma, sem rumo e sem chances, sem mascaras e sem saber nenhum porque, queria ter visto menos, ter pensado menos, queria ter sentido mais frio para me proteger do que me tocasse em sintonia com meu eu ingenuo, queria ter tido carinho no momento certo, mas não aconteceu, aconteci, e esse acontecimento de mim respingou em mágoas e ofuscou o caminho que hoje tenho que seguir.