Reconhecer-me-ia
se não fosse a penumbra companhia, e mesmo que toda a luz irradiasse de mim eu
não poderia ver o brilho dos meus olhos ao espelho, pois a alma turva mente embaçar-me-ia os olhos cheio de lágrimas, e se por ventura pudesse dormir ou
até mesmo sumir, sumiria, mas ainda estaria o medo de uma solidão que eu, tão
acostumada, temia, e temi, de onde sentada estive por algumas horas vi a noite
chegar, e lá de longe ninguém poderia me abraçar...Fiquei ensaiando mensagens
de texto sem sentido, tentando achar palavras, sem entender que não era amor,
que não poderia surpreender-me com sensatez e carinho, que eu não poderia
contar, sim provei de novo naquela noite o amargo sabor do não poder contar com
alguém. O telefone tocou, o banho quente esperava-me, e antes de demoradamente
deliciar-me ouvi as palavras que de tão repetitivas me irritaram, e o café tão
fiel companheiro, amargamente desceu pela garganta sem aquecer o coração, era
meu coração vazio, com frio, confuso, mas era o meu coração.
Troquei
rapidamente o pijama macio, pelo salto, cabelos soltos e perfume no ar, e sai,
como se fosse ao encontro de algo que arrancasse a corda que sentia apertar o
meu pescoço, coloquei a melhor máscara das tantas que costumava utilizar e
disse a minha mesma que ia conhecer gente nova sair, conversar, onde não
pudessem me ver por dentro, onde eu não precisasse chorar, onde eu pudesse ter
ideias insanas, ver liberdade e sorrisos soltos, pessoas desconhecidas num mar
de ilusões estampadas em mim, sem sequelas de sonhos mortos, sem algemas... uma
mensagem de texto, um sim. Da minha
casa para o centro da cidade levou menos tempo do que o de costume, pela tão
ânsia de alivio estava meu coração.
As
ruas iluminadas, mesas lotadas nos bares do centro, sorrisos altos, tamanhos e
formas humanas por toda parte, brilhos, fumaças... Ao longe um aceno
despretensioso e eu pouco a pouco sentiria tudo mudar, tinha visto por foto e
reconheci rapidamente que com um respingo de gentileza e malícia me convidou
para sentar, em minutos estávamos ali e a verdadeira história da minha vida
prestes a começar.
26 de agosto de 2011.
Conheço esse poema e sei exatamente o momento que foi escrito e as pessoas envolvidas. O centro da cidade estava sendo o centro de tudo. As luzes baixa de um bar central conduziram tudo de forma sútil, onde tudo tomou forma depois dali. Ciclos se fecham mas histórias deixam marcas.
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